Publicado por: brunaeca | janeiro 30, 2009

Rede de incentivo ao cinema popular se inspira na pirataria

Por Bruna Escaleira

dsc083681 O objetivo é bem definido: difundir o cinema popular nacional. A estratégia é simples: minimizar o custo da produção de DVDs e sua divulgação por meio de alternativas criativas. Dessa maneira, a Brazucah vem se estabelecendo como modelo sustentável de rede estimuladora da produção audiovisual brasileira. Presente no Fórum Social Mundial de 2009 em Belém, apresentou sua experiência a integrantes de organizações semelhantes vindas de diversas partes do Brasil e do mundo.

Criada em 2004 em São Paulo, a organização, formada por 70 estudantes universitários, abriu uma sede no Rio de Janeiro em 2006 e outras duas, em Brasília e Recife, no ano passado. Responsável pela divulgação de 25% das estréias nacionais em 2008 (15 filmes, entre eles, “Meu nome não é Jhony” e “Condor”), organiza pré-estréias, exibições e debates com os diretores, tanto nas universidades como em escolas e comunidades afastadas dos centros de distribuição cultural.

Além de levar o cinema ao público, de modo a formar expectadores críticos, a rede se preocupa em auxiliar os produtores utilizando técnicas de fabricação de DVDs inspiradas na pirataria, como encartes baratos e distribuição em pontos de venda estratégicos, afastados dos centrais. Assim, consegue vendê-los a preços acessíveis (R$10,00) e remunerar os produtores.

Atualmente, a Brazucah promove diversos circuitos de exibição em parceria com entidades públicas e privadas, como o “Curta na Escola”, “Cinema na Praça”, “Cinema para Todos” e o “Cine B” (em parceria com o sindicato dos bancários), destinados àqueles quem não teriam acesso ao cinema de outra forma.

Com apoio do Fundo Nacional de Cultura do Minc (Ministério da Cultura), a organização promove a formação dos universitários que trabalham como estagiários no projeto. “A equipe é renovada a cada ano, para que mais estudantes possam passar por esse processo de aprendizado”, conta Ana Arruda, coordenadora da sede de Brasília, “mas depois que acaba o período de estágio, a maior parte deles continua colaborando conosco”. “A idéia é criar uma rede sustentável para que o trabalho numa organização como essa forneça renda para se manter”, acrescenta Leonardo Rodarte da Universidade de São Paulo, que entrou para o grupo em 2007.

A idéia da rede
A oficina realizada durante o FSM foi um momento de troca de experiências que condiz exatamente com a idéia, defendida pela Brazucah, de organizar a distribuição dos filmes nacionais por meio de uma rede descentralizada. “É importante estar dentro do fórum para poder apontar ou aprender soluções com cada organização presente”, comenta Camila Nunes, uma das fundadoras da rede.

Todos os participantes trocaram contatos para que possam estudar formas de parceria, seja através da distribuição de direitos de exibição de filmes e DVDs para venda, ou por meio da articulação de circuitos e projetos comuns, que contemplem a realidade das diferentes comunidades no país.

No Pará, por exemplo, a maior dificuldade para a formação de público para o cinema nacional é conseguir acesso a essa produção. “A maior parte dos filmes alternativos que chegam aqui são estrangeiros, mesmo no cinema Olímpia, no centro de Belém, que é grátis”, reclama Deylane Baía, que acaba de se formar na Universidade Federal do Pará (UFPA) e conhecia o trabalho de um projeto de difusão cinematográfica na região.

“A maior necessidade de mobilização é para levar o cinema às cidades que não têm nenhuma sala de exibição, o que é o caso da maioria das cidades do estado, fora Belém e Castanhais”, lembra ela. Nesse sentido, participou do coletivo Aparelho, fundado por um professor da UFPA, que levava projetores a municípios de difícil acesso “via barco e exibia os filmes em lençóis nas praças centrais das comunidades”, conta, “além disso, produzíamos pequenos filmes nas próprias comunidades, com os moradores, utilizando a ‘tecnologia do possível’”, continua.

Da mesma forma, a Cajuína Filmes estimula a produção audiovisual juvenil no interior do Piauí. “Esse trabalho é importante porque quem vive em comunidades pequenas quer falar de seus problemas e projetá-los na tela”, destaca uma de suas integrantes presente na oficina. “Quando você vai para trás da câmera, distancia-se e pode olhar sua realidade de maneira diferente, crítica, e é isso o que queremos incentivar”, conclui.

Além da dificuldade de acesso aos filmes, outro empecilho para formação de cineclubes e outras organizações de incentivo cultural é a falta de sistematização de suas atividades e dados, elementos essenciais para a produção de projetos e inscrição em editais. “É preciso registrar as atividades realizadas a cada dia, cada sessão promovida, mesmo que muito pequena, para que tanto a entidade, como o público, passe a existir também no papel”, aconselha Ana, da Brazucah. Deise, de Belém, concorda: “trabalhei por quatro anos escrevendo todas as atividades de minha organização, e hoje conseguimos sistematizar nosso projeto para conseguir verba em editais”.

Em relação à verba disponibilizada pelo governo para a cultura, Camila, da Brazucah, comenta: “vejo uma grande boa vontade na tentativa de levar mais cultura à população, no entanto, a lei de incentivo é um mal necessário, porque não é legal deixar a decisão do que deve ser patrocinado e exibido como cultura brasileira ser tomada por um gerente de marketing”.

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Responses

  1. sua materia esta otima aborda bem as dificudades e tambem o empenho de algumas organizações conseguir tanto publico como incentivos.
    parabens

  2. Atenção meninas!

    Se faz urgente uma correção, eu nunca disse que fazia parte do Coletivo Aparelho. Apenas disse a uma de vcs que eu conhecia o trabalho do grupo.

    Por favor, gostaria que vcs revissem o texto.

    Grata

  3. Deylane, a correção já foi feita, pode conferir. Obrigada pela atenção!

  4. Valeu meninas!!!

    Assim eu fico mais tranquila….bom trabalho….

    Até!!


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